Quantas horas por dia a criança pode ficar mexendo no celular?

O limite de uso diário varia de acordo com a idade da criança; confira as horas recomendadas para cada faixa etária

Hoje em dia, há muitas lojas, especialmente online, que vendem aparelhos eletrônicos com preços mais em conta, como notebook, tablet, TV e smartphone barato. Devido a essa acessibilidade, as crianças têm contato com esses aparelhos cada vez mais cedo e, consequentemente, passam horas em frente às telas.

Inclusive, com o isolamento social, a exposição aos dispositivos aumentou consideravelmente. No entanto, caso o acesso não seja devidamente limitado,  problemas sérios podem ser ocasionados à saúde dos pequenos.

Neste artigo, reunimos as principais informações e as recomendações de órgãos oficiais acerca dessa questão. Confira!

O que diz a OMS?

Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um manual que diz qual é o período máximo permitido para que as crianças fiquem em frente às telas.

No documento, a instituição afirmou que a exposição excessiva a aparelhos eletrônicos é uma das principais causas da falta de atividade física que, por sua vez, é responsável pelo aumento da obesidade infantil.

A recomendação inicial é que crianças de até 2 anos de idade não tenham contato com telas, nem mesmo de forma passiva (quando não há interação por parte do pequeno). Não é indicado nem mesmo que o adulto segure o celular enquanto estiver com o bebê no colo, para evitar que ele fique olhando para o aparelho.

Crianças com 2 a 5 anos de idade, por sua vez, até podem olhar diretamente para a tela, desde que seja por, no máximo, uma hora ao dia. A OMS recomenda que os pais ou cuidadores utilizem o tempo livre contando histórias ou lendo para os pequenos.

E a Sociedade Brasileira de Pediatria?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também publicou um manual em que reafirma as recomendações da OMS e adiciona ainda mais restrições.

De acordo com a sociedade, crianças com idades entre 6 e 10 anos podem estar em frente às telas por, no máximo, duas horas diárias, mas sempre com a supervisão dos pais ou responsáveis, para que saibam o conteúdo que os pequenos consomem.

Já adolescentes entre 11 e 18 anos de idade devem ficar na frente da tela por no máximo três horas por dia. Em relação a isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria ainda faz uma ressalva muito importante: “eles nunca devem virar a noite jogando videogame ou mexendo no celular”.

Mesmo impondo limites, os riscos continuam existindo

Alguns especialistas em pediatria dizem que mesmo impondo limites, as crianças ainda correm alguns riscos. De acordo com eles, essas “regras de ouro” da OMS e da SBP são, na verdade, tempos de exposição às telas com limites suportáveis, e, que o ideal seria um pouco menos.

Eles ainda acrescentam que, quanto mais nova a criança for, maior pode ser o prejuízo causado por essa exposição.Isso porque, fazendo uma analogia, é como se o tempo da criança de experimentar e vivenciar coisas do mundo real estivesse sendo roubado pelo mundo digital.

E as experiências do cotidiano, como interagir com objetos físicos e pessoas, são super importantes para o desenvolvimento neurológico da criança. Caso esse limite de tempo em frente às telas não seja respeitado, as consequências podem ser sérias.

Os especialistas afirmam que pode causar miopia precoce e grave, o que é um grande problema, visto que aumenta consideravelmente o risco de perda parcial ou até mesmo total da visão.

Além disso, a luz emitida pela tela também é um fator de estímulo e pode levar os pequenos a desenvolver hiperatividade e transtornos do sono.

Entretanto, embora todas as telas de aparelhos eletrônicos causem danos, alguns são menos prejudiciais que outros. A TV, por exemplo, prejudica menos a visão do que um tablet ou smartphone, pois a criança fica mais distante da TV.

Telas X isolamento social

Devido ao isolamento social causado pela pandemia, muitas crianças e adolescentes estão sendo obrigados a usar telas para estudar e até mesmo ter contato social com os amigos.

Nesse caso, os especialistas dizem que isso deve ser considerado, pois esse tipo de uso agrega valores. Por outro lado, o uso da tela para entretenimento deve ser limitado.