O Brasil vai ter mesmo o Real digital?

Mediante o sucesso do Pix, o Banco Central quer lançar novas formas de pagamento para facilitar a vida dos brasileiros. Confira tudo sobre o tema a seguir!

Quem acompanha o mundo das finanças sabe que ele é dinâmico e sempre apresenta alguma novidade. O sucesso do Pix em território nacional tem motivado a busca por novas formas de pagamento no país.

Recentemente, o Banco Central brasileiro anunciou que pretende lançar uma moeda virtual do Real. Hoje, a instituição está avaliando as possibilidades de uso e a capacidade de execução de projetos com essa moeda digital e pretende começar a testá-la até o fim de 2022.

Se você adora ficar por dentro das novidades do mercado digital, veja mais detalhes sobre o Real digital, entendendo em que casos ele poderia ser usado e quais os seus impactos no cotidiano das pessoas!

Proposta

A proposta que está sob análise e estudo pelo Banco Central (BC) será uma Central Bank Digital Currency (CBDC). Ou seja: é a forma digital da moeda  regulamentada e controlada por um governo ou autoridade monetária — no caso brasileiro, é o BC.

Basicamente, o que muda é o formato (que passa a ser também digital agora) e o fato de o Real digital não poder ser convertido em cédulas. Na prática, as pessoas vão receber um código emitido pelo Banco Central indicando os valores movimentados nas transações. Contudo, o valor do Real digital continua o mesmo do dinheiro físico e continuará sendo distribuído por instituições financeiras e por bancos. 

É importante frisar que o real digital não se trata de uma criptomoeda (moedas digitais privadas que não possuem qualquer regulamentação por órgãos de governo e possuem características de investimentos).

Vantagens

A proposta do Real digital apresenta diferentes vantagens. Uma delas é a redução da emissão de papel-moeda e a possibilidade de ser utilizada em qualquer lugar do mundo (sem necessitar da conversão realizada por bancos). 

Na prática, isso permite que haja uma maior integração de sistemas de pagamentos internacionais, com uma conversão imediata assim que o cliente finaliza uma compra em outro país.

Especialistas também apostam que o Real digital tende a baratear a criação de contratos de empréstimos personalizados (para pagamentos em meses específicos ou em poucos dias).

Preparação

A previsão do BC é que o real digital seja lançado em 2024. Hoje, o órgão está criando um novo ambiente financeiro para viabilizar a proposta, garantindo não só praticidade, mas também proteção de dados e segurança aos clientes. O mais provável é que a blockchain, tecnologia utilizada para garantir isso às criptomoedas, também seja utilizada com o Real digital.

Um edital lançado pelo BC e encerrado em fevereiro de 2022 selecionou projetos relacionados ao digital. A ideia era buscar modelos de negócios que agreguem ao sistema financeiro atual e apresentem boa capacidade de execução.

Os selecionados foram divulgados no início de março e, até 29 de julho, ocorrerá a etapa de execução, na qual voluntários do mercado e servidores do Banco Central  acompanharão a cada 15 dias o desenvolvimento dos projetos. A expectativa do órgão é que, ao final do processo, já existam produtos que possam ser aplicados e integrados ao sistema financeiro atual, com a realização de testes com provedores de serviços e consumidores até que o sistema final fique pronto.

Esse movimento do BC brasileiro está alinhado com o que é visto hoje no mercado digital, em um contexto em que bancos centrais de diferentes países estão buscando digitalizar a sua moeda para aumentar a eficiência das economias locais. 

Em outubro de 2020, as Bahamas se tornaram o primeiro país a lançar uma CBDC, denominada “dólar de areia”. China, Japão e Estados Unidos também despontam como países pioneiros nessa área.