- O que é a retina?
- O que é retinopatia diabética?
- Por que pessoas com diabetes precisam cuidar da saúde dos olhos?
- Como a retina é avaliada?
- Diabetes pode afetar os olhos sem causar sintomas?
- Quando começar o acompanhamento da retina no diabetes?
- Com que frequência uma pessoa com diabetes deve avaliar os olhos?
- Por que o acompanhamento pode ficar mais frequente?
- Controlar o diabetes protege a visão?
- Quais sintomas podem aparecer na retinopatia diabética?
- O que são moscas volantes?
- Quando procurar atendimento oftalmológico rapidamente?
- Por que levar informações sobre o diabetes à consulta oftalmológica?
- Perguntas que podem ajudar durante a consulta
- Diabetes e retina: acompanhar antes dos sintomas pode fazer diferença
O diabetes pode afetar a saúde dos olhos mesmo quando a visão ainda parece normal. Uma das possíveis complicações é a retinopatia diabética, condição relacionada a alterações nos pequenos vasos sanguíneos da retina.
Por esse motivo, a avaliação oftalmológica pode fazer parte do acompanhamento contínuo das pessoas com diabetes, e não apenas ser procurada quando surgem dificuldades para enxergar.
Neste conteúdo informativo com o Dr. João Paulo Peloso Reis Passos, você vai entender a relação entre diabetes e retina, por que algumas alterações podem evoluir sem sintomas perceptíveis e qual é a importância do acompanhamento ocular individualizado.
O que é a retina?
A retina é uma estrutura localizada na parte interna do olho.
Ela é responsável por captar a luz e participar da transformação dessas informações em sinais que serão interpretados pelo cérebro.
Para funcionar adequadamente, a retina depende de uma rede de pequenos vasos sanguíneos.
Quando o diabetes permanece ao longo do tempo, alterações nesses vasos podem ocorrer e afetar a saúde da retina.
Uma das condições associadas a esse processo é a retinopatia diabética.
O que é retinopatia diabética?
A retinopatia diabética é uma complicação ocular relacionada ao diabetes.
A condição ocorre quando os pequenos vasos sanguíneos da retina sofrem alterações.
Um ponto importante é que, principalmente no início, a retinopatia diabética pode não provocar sintomas perceptíveis.
Isso significa que uma pessoa pode:
- continuar lendo normalmente;
- dirigir sem perceber dificuldade;
- trabalhar normalmente;
- assistir televisão;
- utilizar celular ou computador;
e ainda assim apresentar alterações na retina que podem ser identificadas durante uma avaliação ocular.
Por isso, enxergar bem não significa necessariamente que a retina esteja sem alterações.
Por que pessoas com diabetes precisam cuidar da saúde dos olhos?
O acompanhamento ocular é importante justamente porque algumas alterações podem começar antes de a pessoa perceber mudanças na visão.
Esperar o aparecimento de embaçamento ou outras dificuldades para procurar avaliação pode atrasar a identificação de alterações que já poderiam estar presentes.
Por isso, a saúde ocular deve ser considerada dentro do cuidado geral do diabetes.
O acompanhamento normalmente envolve diferentes profissionais e medidas relacionadas ao controle da doença.
A avaliação dos olhos acrescenta informações específicas sobre estruturas como a retina.
Como a retina é avaliada?
Durante uma avaliação oftalmológica, o profissional pode examinar as estruturas internas dos olhos.
Dependendo da situação, essa avaliação pode envolver a dilatação das pupilas.
A dilatação aumenta temporariamente o tamanho da pupila e facilita a observação de estruturas localizadas na parte interna do olho.
Entre as áreas que podem ser avaliadas estão:
- retina;
- vasos sanguíneos da retina;
- nervo óptico;
- outras estruturas do fundo do olho.
Dependendo dos achados e da necessidade clínica, também podem ser registrados exames ou imagens da retina.
Os exames indicados não são necessariamente iguais para todas as pessoas.
Diabetes pode afetar os olhos sem causar sintomas?
Sim.
Esse é um dos aspectos mais importantes da relação entre diabetes e saúde ocular.
Alterações relacionadas à retinopatia diabética podem surgir sem causar sintomas nas fases iniciais.
Consequentemente, a ausência de:
- visão embaçada;
- dor nos olhos;
- dificuldade para ler;
- desconforto ocular;
não confirma, por si só, que a retina esteja sem alterações.
É por isso que o acompanhamento não deve depender exclusivamente do aparecimento de sintomas.
Quando começar o acompanhamento da retina no diabetes?
O momento indicado para iniciar o rastreamento pode variar conforme o tipo de diabetes e outras características individuais.
De acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes utilizada como referência na minuta original, há diferenças importantes entre diabetes tipo 1 e tipo 2.
Diabetes tipo 2
Para pessoas com diabetes tipo 2, a recomendação apresentada na diretriz é iniciar o rastreamento da retinopatia no momento do diagnóstico.
Isso acontece porque o diabetes tipo 2 pode estar presente durante algum tempo antes de ser identificado.
Diabetes tipo 1
Para adultos com diabetes tipo 1, a diretriz utilizada como referência recomenda iniciar o rastreamento após cinco anos de duração da doença.
Para crianças e adolescentes existem critérios específicos.
Essas informações servem como referências gerais e não substituem a orientação individual da equipe que acompanha cada paciente.
Com que frequência uma pessoa com diabetes deve avaliar os olhos?
Não existe um intervalo universal adequado a todas as pessoas com diabetes.
A frequência depende de fatores como:
- tipo de diabetes;
- tempo desde o diagnóstico;
- presença ou ausência de alterações na retina;
- intensidade das alterações identificadas;
- condições clínicas associadas;
- situações específicas, como gestação em pessoas com diabetes prévio.
A diretriz utilizada como referência no material original recomenda acompanhamento anual quando não existe retinopatia ou quando ela é leve.
Quando existem alterações moderadas ou graves, os intervalos podem ser menores.
A decisão final deve ser individualizada.
Por que o acompanhamento pode ficar mais frequente?
O objetivo das consultas sucessivas é observar se existem alterações e se elas apresentam alguma evolução.
Quando um exame identifica mudanças na retina, o profissional pode precisar acompanhar o quadro em períodos menores.
Esse acompanhamento permite comparar informações ao longo do tempo.
Por isso, sempre que possível, vale levar para a consulta:
- exames oftalmológicos anteriores;
- fotografias ou imagens da retina;
- resultados de outros exames;
- informações sobre o acompanhamento do diabetes;
- lista dos medicamentos utilizados.
Esses dados ajudam a contextualizar a avaliação.
Controlar o diabetes protege a visão?
O cuidado com o diabetes faz parte da proteção da saúde ocular.
A avaliação oftalmológica, porém, não substitui o acompanhamento da doença com os profissionais responsáveis pelo tratamento do diabetes.
Da mesma forma, cuidar adequadamente do diabetes não elimina a necessidade de realizar avaliações oculares quando recomendadas.
São cuidados complementares.
A saúde dos olhos deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de acompanhamento.
Quais sintomas podem aparecer na retinopatia diabética?
Nas fases iniciais, pode não existir nenhum sintoma.
Quando mudanças visuais acontecem, elas precisam ser avaliadas profissionalmente, porque podem ter diversas causas.
Entre as alterações que merecem atenção estão:
- visão embaçada;
- piora progressiva da visão;
- aparecimento de novos pontos ou manchas na visão;
- aumento das chamadas “moscas volantes”;
- outras mudanças perceptíveis no campo visual.
A presença desses sintomas não confirma automaticamente retinopatia diabética.
Eles indicam a necessidade de avaliação.
O que são moscas volantes?
“Moscas volantes” é uma expressão utilizada para descrever pequenos pontos, linhas ou manchas que parecem flutuar no campo visual.
Algumas pessoas percebem esses elementos ao olhar para superfícies claras, como uma parede branca ou o céu.
Moscas volantes podem ter diferentes causas.
Em pessoas com diabetes, o aparecimento recente ou o aumento dessas alterações deve ser relatado durante uma avaliação oftalmológica.
Quando procurar atendimento oftalmológico rapidamente?
Algumas alterações visuais não devem esperar pela próxima consulta de rotina.
Se houver uma piora súbita da visão, é importante procurar atendimento oftalmológico rapidamente.
Também merece avaliação o aparecimento recente ou aumento importante de alterações na visão.
Isso não significa que qualquer sintoma seja necessariamente consequência do diabetes.
A avaliação profissional é necessária justamente para identificar a causa.
Por que levar informações sobre o diabetes à consulta oftalmológica?
A saúde ocular não deve ser analisada isoladamente.
Ao comparecer a uma consulta, pode ser útil informar:
- há quanto tempo o diabetes foi diagnosticado;
- se é diabetes tipo 1 ou tipo 2;
- quais medicamentos estão sendo utilizados;
- resultados anteriores relacionados aos olhos;
- mudanças recentes na visão;
- outras condições de saúde existentes.
Essas informações ajudam a compor o contexto da avaliação.
Perguntas que podem ajudar durante a consulta
Quem possui diabetes pode aproveitar a consulta para esclarecer algumas dúvidas importantes.
Entre elas:
- Minha retina apresenta alguma alteração?
- Há sinais de retinopatia diabética?
- Preciso realizar algum exame complementar?
- Quando devo repetir a avaliação?
- Preciso levar estes resultados para outro profissional que acompanha meu diabetes?
- Quais mudanças na visão precisam de atendimento rápido?
- Há algum resultado anterior que devo trazer na próxima consulta?
Anotar as respostas pode facilitar o acompanhamento.
Diabetes e retina: acompanhar antes dos sintomas pode fazer diferença
A principal mensagem sobre diabetes e saúde da retina é que não é necessário esperar a visão mudar para avaliar os olhos.
A retinopatia diabética pode começar sem sintomas perceptíveis, e a visão aparentemente normal não é suficiente para excluir alterações na retina.
Por isso, o acompanhamento ocular deve ser considerado uma parte do cuidado contínuo de pessoas com diabetes.
A frequência das avaliações e os exames necessários variam de acordo com o tipo de diabetes, os resultados encontrados e as características individuais.
Neste conteúdo com o Dr. João Paulo Peloso Reis Passos, a informação central é simples: cuidar da visão também envolve acompanhar a saúde da retina ao longo do tempo e discutir com a equipe de saúde qual é a estratégia adequada para cada pessoa.
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