Como funciona um IPO?

Entenda o processo que inaugura as negociações de uma empresa na bolsa.

O termo IPO provavelmente é a sigla mais conhecida do mercado financeiro. Abreviação de Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, um IPO significa a abertura de capital na bolsa. Ou seja, IPO é a primeira negociação de ações de uma companhia listada.

Diferentemente de modalidades como o venture capital, IPOs são processos mais abrangentes e que possibilitam maior acesso aos investidores. De acordo com dados da B3, já houveram 40 IPOs em 2021, com a movimentação total superior a R$ 35 bilhões.

Mas como funciona um IPO? Quais os prós, contras e detalhes desse tipo de modalidade para as empresas? E como o investidor pode ganhar com a realização de um IPO? Para saber as respostas a essas perguntas, conheça mais sobre essa importante modalidade de entrada no mercado.

Abertura de capital

Conforme mencionado no início deste texto, um IPO é a primeira oferta de ações realizada por uma empresa. Ao realizar essa oferta, a empresa passa a ter a capacidade de receber recursos de várias pessoas. Os investidores, por sua vez, passam a ser acionistas daquela companhia.

Dessa forma, a empresa que realiza o IPO passa a ser uma companhia aberta, ou seja, pode ter seus valores mobiliários negociados publicamente. Isso difere das companhias fechadas, que não são listadas em bolsa e cujo acesso dos investidores tende a ser mais caro e trabalhoso.

No Brasil, as operações de IPO são realizadas na B3 e costumam movimentar na casa dos bilhões de dólares. Por isso, e também por causa da legislação restritiva, essas ofertas normalmente são realizadas por grandes empresas, que já estão em estágios avançados nos seus negócios. Os dez maiores IPOs da história da bolsa brasileira são:

  1. Santander, 07/10/2009: R$ 11,5 bilhões;
  2. Banco do Brasil, 29/04/2013: R$ 11,5 bilhões;
  3. Rede D’Or, 10/10/2020: R$ 11,3 bilhões
  4. VisaNet Brasil, 29/06/2009: R$ 8,4 bilhões;
  5. OGX, 13/06/2008: R$ 6,7 bilhões;
  6. Bovespa Holding, 26/10/2007: R$ 6,6 bilhões;
  7. B3, 30/11/2007: R$ 6 bilhões;
  8. CSN Mineração, 18/02/2021: R$ 5,2 bilhões;
  9. BR Distribuidora, 15/12/2017: R$ 5 bilhões;
  10. Carrefour, 20/07/2017: R$ 4,97 bilhões.

Como funciona um IPO?

Em primeiro lugar, abrir um IPO na bolsa não é um processo simples. Além das várias etapas exigidas, os custos para abertura de capital são bastante elevados. De fato, não é incomum ver empresas demorarem mais de dois anos e gastarem mais de R$ 2 milhões num processo de IPO.

Todo esse processo pode ser dividido em quatro partes: planejamento; roadshow; registro, listagem e processo; e por fim, reserva e bookbuilding. O site da B3 também fornece materiais que ilustram cada uma dessas etapas.

Planejamento

A primeira etapa envolve o planejamento minucioso dos detalhes a respeito da operação. A empresa deve reunir todas as suas informações financeiras, contratar uma equipe especializada e sondar os bancos responsáveis pela coordenação da oferta.

Ao mesmo tempo, a empresa precisa definir o volume de recursos que serão captados, a composição das ações que serão oferecidas ao mercado e a valoração da companhia. Em alguns casos, até mesmo a troca da equipe de gestão deve ser realizada.

Por fim, a empresa precisará apresentar balanços auditados. Atualmente, a legislação exige pelo menos três anos de balanços. Portanto, o planejamento é extremamente complexo e pode ser a etapa mais demorada de todo o processo.

Roadshow

A segunda etapa é a apresentação da empresa para o mercado, intitulada de roadshow. O processo é bastante semelhante às rodadas de captação de investimentos em venture capital, pois tanto a empresa quanto a oferta são apresentadas a potenciais investidores, como bancos e grandes fundos.

Participam dessa reunião os principais executivos da empresa, que geralmente se reúnem com investidores nacionais e do exterior. O processo costuma variar em termos de duração, podendo atingir algumas semanas.

Registro, listagem e processo

Esta terceira etapa é puramente burocrática, já que envolve em sua maioria registros junto à B3 e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em primeiro lugar, a empresa solicita o registro de companhia aberta junto à CVM. Em seguida, deve solicitar autorização para vender as ações na B3 via IPO.

Nesta fase a empresa elabora o famoso prospecto, documento mais importante do IPO. Este documento traz uma série de informações e registros completos sobre a companhia e a oferta de ações.

Por fim, a empresa deve escolher em qual segmento quer que as suas ações sejam listadas na B3. Existem cinco segmentos na B3, classificados de acordo com o nível de governança:

  1. Nível 1;
  2. Nível 2;
  3. Novo Mercado;
  4. Bovespa Mais;
  5. Bovespa Mais Nível 2.

Reserva e bookbuilding

A última etapa é aquela na qual a empresa lida diretamente com os investidores de varejo, isto é, o pequeno investidor. No período de reserva, os investidores poderão garantir sua parcela das ações antes da abertura de capital.

Nesta etapa, a empresa determina qual o valor mínimo e o valor máximo que o investidor pode adquirir. Por exemplo, uma oferta pode requerer um valor mínimo de R$ 3 mil e um máximo de R$ 1 milhão. Para isso, o investidor deve entrar em contato com sua corretora e afirmar qual valor pretende investir.

Já o bookbuilding é um mecanismo que leva em conta quanto os investidores institucionais querem adquirir. Ele serve como uma referência para que a empresa possa definir um preço adequado para a ação, de modo a não afastar demais o mercado.

Tipos de IPO

Por fim, os IPOs são divididos em dois tipos diferentes: ofertas primária e secundária. Na oferta primária, a empresa emite novas ações e as vende no mercado. Dessa forma, a empresa capta novos acionistas e recebe dinheiro novo, que vai direto para o caixa da companhia.

A oferta secundária, por sua vez, negocia a venda de ações já existentes, geralmente papéis que estão em posse de acionistas da companhia. Por isso o dinheiro arrecadado nesse tipo de oferta vai para os acionistas, e não para a empresa. A oferta secundária é muito utilizada por acionistas que desejam vender parte ou toda a sua posição na empresa.