Telemedicina cresce na pandemia, mas requer melhorias

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Conheça os aspectos positivos da telemedicina e os que ainda precisam ser melhorados.

Com o surto pandêmico em 2020, muitas mudanças afetaram nossos costumes. Fomos forçados a nos adaptar a uma nova realidade, que trouxe grandes inovações, sendo uma delas dentro da área da saúde. Assim, intensificou-se o uso da telemedicina. 

Nos centros médicos de médio ou grande porte, as tarefas passaram a exigir muitos cuidados com o planejamento, assegurando o controle financeiro e a organização nos pronto atendimentos. 

Para ter uma gestão clínica eficiente, capaz de manter o funcionamento correto de todas as áreas — desde a recepção até a alta do paciente —, é relevante preservar uma comunicação constante e equilibrada, já que uma falha pode acarretar a perda monetária, assim como a qualidade de serviços e pacientes interessados na telemedicina. Mas, afinal, o que é e quais são os aspectos importantes sobre essa ferramenta de conexão à distância entre pacientes e a equipe médica? Confira!

O que é telemedicina?

A telemedicina é todo atendimento realizado à distância por qualquer instrumento de comunicação. A origem desse recurso foi em Israel e hoje é bem difundida nos Estados Unidos, no Canadá e em países da Europa. 

Durante a pandemia de covid-19, a telemedicina foi primordial nos atendimentos de pacientes contaminados pelo vírus. Os avanços permearam desde os termos de legislação, a liberação das teleconsultas até a aceitação desse sistema de atendimento remoto por parte dos médicos e das pessoas. 

Com o isolamento, o atendimento à distância foi uma solução para desafogar os hospitais, assim como monitorar os pacientes, proporcionando que o atendimento em regiões mais remotas pudesse ser realizado. Dentro da telessaúde existem outros áreas, como:

  • a teleconsulta: refere-se ao contato entre o profissional da saúde com o paciente;
  • a teleconsultoria: direcionada somente para os profissionais discutirem e estudarem o caso do paciente com outros especialistas;
  • o telemonitoramento: serve para acompanhar os pacientes com doenças crônicas ou até mesmo com covid-19;
  • o telediagnóstico: são os atendimentos prestados por outros especialistas para entregar o diagnóstico de um exame solicitado;
  • a tele-educação: é a utilização de plataformas digitais para a realização de cursos que visam aperfeiçoar o trabalho e os conhecimentos dos médicos.

Quais são as vantagens da telemedicina?

O uso dessa prática se tornou uma ferramenta necessária para atender à alta demanda de pacientes, mantendo o afastamento social como uma saída emergencial durante a pandemia. 

Caso a clínica médica já possuísse um sistema informatizado, a adaptação aos programas de softwares e aos equipamentos para obtenção de laudos aconteceria rapidamente. Entre os principais benefícios em adotar o atendimento remoto, destacam-se: 

  • facilidade em ter assistência médica a qualquer momento e em qualquer lugar;
  • otimização do tempo — menos tempo para ter acesso ao diagnóstico e aos prontuários;
  • acesso aos dados e resultados dos laudos disponíveis para os especialistas pela web, não havendo uma longa espera;
  • redução dos custos tanto para os profissionais como para os pacientes, sendo menos dispendiosa do que as consultas presenciais; 
  • os cuidados com a saúde mental dos pacientes aumentou com a telemedicina;
  • consultas breves para conseguir a prescrição médica, facilitando a obtenção de medicamentos que necessitam de receitas;
  • monitoramento dos pacientes.

Com a tecnologia a favor da medicina, bem como os pontos positivos da telemedicina, pode não restar nenhuma dúvida sobre a eficiência desse sistema de teleatendimento. A sua expansão traz a certeza de que no futuro será possível aumentar o acesso à saúde para todas as pessoas. Dito isso, podemos nos questionar se há ainda o que aperfeiçoar. 

O que ainda precisa melhorar na telemedicina?

Uma pesquisa realizada com 1.183 médicos dos estados de São Paulo e do Maranhão, com o apoio da Fapesp e o Newton Fund (Reino Unido), revelou que a telemedicina foi mais usada por médicos do setor privado do que do Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar disso, o professor da USP, Mário César Scheffer, reconhece a importância da tecnologia durante a pandemia. Com ela foi possível “levar um especialista que não estava disponível naquele serviço ou UTI em determinado momento para dar uma opinião e, assim, contribuir com o diagnóstico e o tratamento adequados de pacientes”.

Scheffer acredita que o uso da telemedicina apresenta aspectos a serem aprimorados ainda, pois “para determinados problemas de saúde e determinadas especialidades, a telemedicina não é uma forma eficaz de atendimento. Pode ser um auxílio, principalmente em triagens e orientações, mas há situações em que a relação médico-paciente presencial é insubstituível”.

Logo, os pesquisadores afirmam que é necessário diminuir as desigualdades notadas durante o uso da telemedicina, uma vez que ela está mais disponível nos setores privados do que públicos. Para eles, outros pontos negativos da telemedicina são: 

  • possíveis falhas no diagnóstico de doenças; 
  • segurança de dados de pacientes atendidos on-line; 
  • remuneração dos médicos; 
  • questões éticas.