Moda agênero: O vestuário para além do masculino e feminino
O objetivo da moda agênero é romper com padrões e preconceitos na hora de se vestir.
Assim como o mundo em que vivemos, a moda também está sempre em constante transformação. Algo que era impensável em uma determinada época, como uma mulher usar calças, acaba se transformando em algo absolutamente normal – e, por incrível que pareça, isso aconteceu há pouco mais de um século.
Só que, mais do que isso, hoje é preciso pensar que existe um universo complexo de pessoas que não necessariamente se identificam apenas com aquilo que é tido como masculino ou feminino. Um exemplo disso é o uso de vestidos glamurosos pelo ator Billy Porter no Tapete Vermelho do Oscar.
Ele tem sido um dos precursores no mundo artístico atual ao romper com as normas e padrões preestabelecidos e se vestir como quer. Mas não é só ele que vem buscando essa mudança: a moda agênero está aí para mostrar que sim, é possível ter um vestuário que vai muito além do masculino e do feminino.
Múltiplos corpos, múltiplas identidades
A moda agênero está intrinsecamente ligada à moda inclusiva, pois está calcada na integração de grupos extremamente marginalizados, como os LGBTIA+, em especial para as pessoas que não se encaixam com perfeição em nenhum dos gêneros tradicionais (masculino e feminino).
Dizer isso é importante, pois essas pessoas merecem o devido respeito em todos os aspectos da vida, incluindo o direito a se vestirem da maneira como desejam. Trata-se de múltiplos corpos e múltiplas identidades que podem e devem ser acolhidos pela indústria da moda.
Sendo assim, a moda agênero visa incorporar tanto esse público quanto todas as demais pessoas que desejam sair da binaridade na hora de se vestir. É oferecer um vestuário que não se limite ao masculino ou feminino, mas que abranja todo e qualquer ser humano.
Uso da calça por mulheres foi um marco na história da moda
Olhando para pouco mais de um século atrás, o uso de calças por mulheres era algo absolutamente impensável, já que, naquele momento, a peça era algo exclusivo para homens. Para se ter uma ideia, em 1909, a criação de calças femininas pelo estilista Paul Poiret foi condenada pela Igreja Católica por ser considerada “imoral”.
A incorporação da calça como peça de uso feminino ganhou mais força na década de 1920 com Coco Chanel, subvertendo uma lógica há muito tempo estabelecida. Esse talvez seja o primeiro marco na história da moda em que uma determinada roupa deixou de ser vista como exclusividade de um determinado gênero.
Na década de 1960, a moda unissex também levantou questões importantes ao fornecer roupas que pudessem ser usadas por ambos os sexos. A diferença é que a discussão no caso agênero vai além de ter uma peça igual para quem é homem e quem é mulher, pois entende que o foco está no ser humano.
Roupa é reflexo da identidade
Mais do que subverter uma ordem preestabelecida ou mesmo trocar peças de diferentes guarda-roupas, a moda agênero pretende trazer a liberdade de usar aquilo que reflete a identidade de cada pessoa.
O exemplo de Billy Porter no início do texto é precioso, pois traz essa busca por uma moda mais inclusiva para o universo artístico. Outros artistas de gerações mais antigas como Kurt Cobain e David Bowie, além dos contemporâneos como Harry Styles, Post Malone e Lil Nas X trazem o debate para o centro.
Aqui no Brasil, artistas como Bruno Gagliasso e Fiuk, e influenciadores digitais, como Cleidson Santana e Israel Cassol, também têm seu peso ao usarem peças de roupa como saias e vestidos que, até pouco tempo atrás, eram de exclusividade do público feminino.
Nesse sentido, mas que dizer o que “é de homem” e o que “é de mulher”, a roupa deve ser vista como algo útil, versátil e prático, seja quem for o seu usuário. Isso inclui formatos mais fluidos, cores e tonalidades diversas, sempre respeitando a diversidade dos corpos.
