Quem se beneficia e quem perde com a alta da Selic?

A alta da Selic pode beneficiar instituições financeiras e prejudicar algumas organizações empresariais. Entenda!

Recentemente, o Banco Central (BC) se posicionou de forma mais agressiva com relação à adoção de ações de combate à inflação. Para quem busca obter menores taxas junto ao mercado, é fundamental entender de que forma essa postura vai afetar as instituições financeiras, as empresas e o mercado consumidor.

Em linhas gerais, esse movimento do BC deve ser benéfico para as instituições financeiras, por outro lado, pode prejudicar o desempenho de algumas empresas. A elevação da Taxa Selic em 1,5 ponto percentual sinaliza para a possível ocorrência de novos aumentos.

O que é e como funciona a Taxa Selic

A Taxa Selic é a taxa básica de juros e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Trata-se, portanto, de um instrumento de política monetária que influencia todas as taxas de juros praticadas no país, como as taxas das aplicações financeiras, taxas de juros de empréstimos, financiamentos, entre outras.

Selic é a sigla para “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, o sistema no qual se operam os valores nas operações de empréstimos entre os bancos que usam como garantia os títulos públicos federais. A Taxa Selic nada mais é do que o valor averiguado nessas operações.

A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), discute a necessidade de alteração na Taxa Selic, Nessa reunião, se estabelece sua manutenção, redução ou aumento.

Banco Central e o combate à inflação

O aumento na Taxa Selic está relacionado com as perspectivas de aumento da inflação no país. Na última reunião, além do aumento, o Copom sinalizou a possibilidade de realizar outro aumento, na mesma proporção, na próxima reunião.

A reunião realizada entre os dias 26 e 27 de outubro fez com que a taxa básica alcançasse o maior patamar desde setembro de 2017.

Os economistas, de uma forma geral, entendem que a alta dos juros é necessária em razão do atual contexto econômico em que estamos inseridos. Porém, esse aumento acaba gerando efeitos negativos e que devem ser considerados dentro das estratégias das empresas.

Quem se beneficia com a alta da Selic

Mas, afinal, se o aumento da taxa é necessário e há diversos entes impactados negativamente, quem é que se beneficia com esse aumento? Em linhas gerais, os principais beneficiados são os bancos e as seguradoras.

No caso das instituições bancárias, esse benefício acontece em razão do aumento do chamado spread bancário, que é a diferença entre os juros pagos pelo banco na captação de recursos e os juros que são cobrados dos seus clientes.

Já no caso das seguradoras, esse benefício é observado em função das taxas de retorno mais altas para os investimentos de renda fixa.

O mercado cambial também deve ser influenciado pelo aumento da Selic, havendo possibilidade de valorização do real frente à moeda americana. Essa valorização deve contribuir para melhorar os resultados de empresas que consomem insumos oriundos da importação.

Quem pode sair prejudicado

Se o mercado cambial, as instituições bancárias e as seguradoras vão se beneficiar com o aumento da Selic, haverá prejuízos de algumas partes. Considerando questões como o quadro de incerteza fiscal e a complexidade do ambiente político, a alta dos juros pode afetar negativamente as projeções de crescimento da economia brasileira no próximo ano de 2022 e também em 2023.

Isso deve impactar principalmente as empresas, que devem desacelerar seus planos de expansão e crescimento. Esse movimento deve ser observado em diferentes setores de mercado.

As empresas mais afetadas devem ser, principalmente, as que precisam de crédito para realizar uma expansão. O acesso ao crédito — tanto para pessoas físicas quanto jurídicas — vai ser mais desafiador em razão do aumento nas taxas praticadas.

Isso significa que aqueles que precisam de um empréstimo, parcelamento ou financiamento acabam pagando mais caro em função do valor da Taxa Selic. Assim, a situação fica mais favorável para quem empresta o dinheiro e mais difícil para quem precisa pegar recursos emprestados.