Trânsito nas cidades piora com o fim da quarentena

Engarrafamentos e diminuição de linhas são problemas comuns nas grandes capitais.

Um dos aspectos mais impactados pela pandemia de COVID-19 foi o trânsito. Nos primeiros meses de isolamento social, as ruas estavam desertas e não havia congestionamento. Os poucos que saíam usavam bicicletas, pois era um meio seguro de se deslocar e, ao mesmo tempo, se exercitar.

A diminuição da poluição gerada pelo trânsito teve um impacto muito positivo no meio ambiente — e também entre a população. Um estudo divulgado em julho de 2020 constatou que cerca de 11 mil mortes na Europa já foram evitadas pela diminuição no acúmulo de sujeira na atmosfera causada por combustíveis fósseis de carros e fábricas. O problema é que, com o fim da quarentena, os carros — e, consequentemente, os gases poluentes — voltaram com tudo às ruas.

Em São Paulo

A maior capital do país é também o centro do trânsito caótico no Brasil. Dificilmente alguém encontrará um paulistano que não reclame de horas perdidas em engarrafamentos.

Com o “fim” da pandemia (o governo havia derrubado a quarentena no dia 17 de agosto) e a volta às aulas, um levantamento registrou piora de 161% em comparação a julho. Foram 2.108 alertas de lentidão registrados das 6h às 8h só nos primeiros 15 dias de agosto, contra 808 durante todo o mês anterior.

No mesmo dia em que derrubou a quarentena, o governo do estado havia derrubado todas as restrições de horário e capacidade máxima para estabelecimentos comerciais.

No Rio de Janeiro

Apesar da grande adesão ao home office, o trânsito da capital carioca voltou aos patamares caóticos, atingindo quase o mesmo nível pré-pandemia. Muitos fatores explicam esse problema: a retirada de linhas, a diminuição de transportes públicos rodando na cidade, empresas fechando as portas e a adesão aos carros particulares são alguns deles.

Em julho, o Rio chegou a ter 173 linhas suspensas e apenas 160 cumprindo a quantidade mínima determinada de veículos nas ruas. Para quem precisa vir de outras cidades, o prejuízo também é grande: até novembro, o trajeto de barcas Praça XV – Praça Arariboia chegava a ter de 30 minutos a 1h de intervalo entre uma embarcação e outra, dependendo do horário. Como a quantidade de usuários sempre foi grande, as embarcações saíam lotadas.

O transporte público do Rio, aliás, enfrentou lotações até mesmo durante o auge da pandemia. Com os números reduzidos pela vacinação, isso não mudou.

Em Belo Horizonte

Apesar de não tão noticiado, o trânsito de Belo Horizonte é um dos mais caóticos do Brasil. Em junho de 2021, a capital mineira registrou uma queda de apenas 7,4% em ônibus, carros, motos e caminhões em comparação com o período pré-pandêmico.

Até 2019, a BHTtrans registrava, em média, 279.567 veículos rodando no perímetro da Avenida do Contorno. Em junho de 2021, a empresa registrou 258.879 automóveis no mesmo perímetro.

Porto Alegre

A capital gaúcha conseguiu um feito que as outras cidades ainda não superaram: em julho, os moradores da cidade enfrentaram um volume de tráfego pré-pandemia 8% maior do que em março de 2020.

O que o passageiro pode fazer

Quem trabalha relativamente perto do trabalho pode ir a pé. Um trajeto de 3 a 4 km pode demorar muito mais no trânsito do que andando. Além disso, a caminhada para o trabalho traz inúmeros benefícios para quem a pratica.

Pesquisa realizada pela Universidade de Ohio utilizando dados da Investigação Nacional de Viagens Domésticas, recolhidos entre abril de 2016 e maio de 2017, mostrou que deslocamentos com objetivo (como trabalho, por exemplo) têm maior impacto na saúde do que caminhadas por lazer.

O estudo mostrou que isso se deve principalmente pelo passo, que costuma ser mais rápido. Em média, uma pessoa que se desloca para o trabalho anda numa velocidade de 4,32 km por hora, enquanto quem está apenas passeando anda a 4,1 km por hora.

Bicicleta e saúde

Para quem trabalha numa distância maior, a bicicleta é a melhor amiga. Além de ser um meio de transporte muito mais sustentável, não deixa de ser um exercício físico aeróbico de média intensidade. Melhora o condicionamento físico e a circulação sanguínea, evita cardiopatias e tira o indivíduo do sedentarismo.

Outro fator importante é que o veículo também proporciona segurança no trânsito. Estudo feito pelo site The Conversation e publicado no British Medical Journal mostrou que, no Reino Unido, trabalhar de bicicleta estava relacionado com um risco de morte 41% inferior do que quando feito de carro ou em transporte público.