Como fazer uma avaliação de risco de produto?

Saiba mais sobre o desenvolvimento de produtos no contexto empresarial e estratégias de como avaliar e mitigar riscos.

Nos últimos anos, vimos crescer de forma espantosa o número de startups inovadoras no mercado. Com produtos e serviços variados, esses negócios têm contribuído para mudar o comportamento de consumo e o interesse por determinados produtos.

Quando se tem uma empresa ou se pretende abrir um novo negócio, é fundamental ter uma boa ideia e as ferramentas necessárias para tirar essa ideia do papel. Sem um produto ou serviço, você não tem um negócio, mas como criar um produto inovador em um mercado que parece saturado? Ao desenvolver esse produto, como avaliar os seus riscos antes de colocá-lo em circulação?

Desenvolvimento de produtos no contexto empresarial

O desenvolvimento de produtos é uma atividade que integra parte dos processos de uma empresa. Na sua concepção, os empreendedores precisam desenvolver e testar produtos ou serviços antes de lançá-los no mercado.

Mas esse é o único momento em que o desenvolvimento se faz presente. Mesmo com a empresa ativa e um rol de produtos já em circulação, é fundamental manter uma rotina de avaliação de ciclo de vida dos produtos junto ao mercado, análise da internacionalização de mercados, comportamento de consumo, concorrência e redução do ciclo de vida dos produtos.

São diversos fatores que precisam ser levados em consideração para criar e acompanhar a competitividade e viabilidade de manter um produto dentro do portfólio de uma empresa. A mesma lógica se aplica aos serviços, que precisam ser revistos, alinhados e adaptados de acordo com as demandas do mercado.

Avaliando e mitigando riscos de produtos

Mitigar significa “reduzir”; “minimizar” riscos. Por isso, quando se fala em mitigação de riscos de produtos, significa que já existe um produto desenvolvido. Porém, antes de falar na mitigação, precisamos pensar na etapa de avaliação e desenvolvimento.

O gestor, empresário ou product manager precisa identificar qual é o produto ou serviço adequado para resolver o problema do cliente. Esse processo envolve ações como:

  • estudar o mercado;
  • analisar a concorrência;
  • dialogar com os consumidores/clientes;
  • lançar testes;
  • avaliar resultados preliminares;
  • colher feedbacks de clientes e profissionais envolvidos.

Essa atividade de avaliação preliminar é a que precede as ações posteriores de mitigação de risco dos produtos. Em linhas gerais, a mitigação leva em consideração quatro riscos principais: risco de valor, de usabilidade, de viabilidade e de execução. Entenda melhor o que cada um deles significa:

Risco de valor

O risco de valor consiste na análise do valor que o produto tem para o cliente. O que isso significa? Mesmo que a sua ideia seja muito boa, se ninguém precisar dela, ela não trará nenhum retorno para o seu negócio, portanto, não tem valor. O consumidor precisa enxergar o valor e se interessar pelo produto.

Na estratégia de mitigação de riscos, o risco de valor é o primeiro a ser avaliado. Se houver um propósito para aquele produto e o interesse genuíno dos consumidores, o sinal verde acende e indica que você está no caminho certo.

Risco de usabilidade

O segundo risco, chamado de “risco de usabilidade”, está associado ao fato de que as pessoas podem não saber utilizar o produto, mesmo que ele tenha valor para elas. Isso representa para o empreendedor o desafio de desenvolver um produto de boa usabilidade.

Muitas vezes um produto precisa passar por várias etapas de validação até se tornar útil sob o ponto de vista da usabilidade. Se for um produto digital, por exemplo, profissionais de UX e UI são os mais capacitados para avaliar e desenvolver soluções de usabilidade.

Risco de execução

O risco de execução está ligado à análise da viabilidade de construção do produto. Ele demanda uma análise mais técnica relacionada aos processos e demandas específicas de cada produto.

A análise desse risco permite identificar que o desenvolvimento do produto é viável sob o ponto de vista técnico e até mesmo financeiro. Um custo de execução muito alto pode inviabilizar a produção em larga escala e comercialização. Nesse ponto, entramos no último risco: o de viabilidade.

Risco de viabilidade

O risco de viabilidade leva em consideração questões práticas importantes envolvendo a venda final do produto ou serviço. Nessa etapa, são avaliadas questões como:

  • o cliente em potencial tem poder aquisitivo para comprar o produto?
  • o preço do produto é adequado?
  • o custo e o preço final são economicamente viáveis?
  • existe necessidade de manutenção deste produto
  • como a empresa consegue suprir essa demanda?

O empreendedor deve lembrar que por mais inovadora que a solução seja, no mercado, ela precisa ter um preço viável para que os consumidores comprem. Caso contrário, não terá vendas, e todo o esforço de desenvolvimento será em vão.

A precificação precisa atender às expectativas do consumidor e estar alinhada aos custos e às necessidades da empresa, que tem insumos, colaboradores e fornecedores para pagar.

Colocando em prática essas dicas, é possível fazer uma boa avaliação de risco de produto, atingindo bons resultados e ajudando a colocar o seu negócio no caminho certo.